"NINGUÉM ESTÁ LIVRE DOS DEVANEIOS DE SUA ARTE,
OU DA CHINELADA DA LUCIDEZ ALHEIA." Cleberton O. Garmatz

"Estranhos dias os que vivemos, em que para se destacar em uma área, as pessoas se tornam imbecis nas demais." Cleberton
(Ai dos meus pares, que continuam medíocres em 100% delas...)
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

As Catástrofes do Excesso e da Omissão

- Em defesa da Pegida alemã!

“Dois extremos perigosos: só aceitar a razão e negar a razão.” Blaise Pascal

Tenho observado, na conduta popular, que um direito exercido sem regramentos se torna abuso, senão crime. Em paralelo, uma organização ou coletividade que se omite, em demonstrar e combater os excessos das liberdades em seu meio, torna-se conivente pelos resultados, ainda que desencadeados por atividade direta de outrem.

Tome-se o exemplo do direito de livre expressão. Por mais natural e evidente que ele possa parecer, ainda assim o seu exercício não é absoluto ou ilimitado (pelo menos, não na maioria dos estados democráticos). O direito de pensamento ou liberdade de opinião encontra alguns controles normativos, muitas vezes representados pela proibição do anonimato – para que seja assegurada a responsabilidade dos seus usuários, em torno do conteúdo de suas mensagens. Nesse sentido, por essa ressalva são associadas demais restrições, como a não permissão de apologia a ilicitudes.

Recentemente, essa premissa axiomática parece ser rejeitada por muitos setores sociais, quando o assunto é liberdade religiosa. Ora, de antemão é mister que seja novamente entronizado um fato universal, com premência, entre as mídias internacionais de civilizações democráticas, qual seja, que NEM TODO CREDO É PACÍFICO, logo, nem sempre poderemos celebrar um liame pleno de culturas, raças e ideologias, sob o manto isonômico da laicidade.

Por pragmatismo, podemos concatenar que nem todo muçulmano é terrorista, mas todo terrorista do novo milênio é muçulmano. Cristãos, budistas, judeus, taoístas, xintoístas, ritualistas africanos... Ninguém mais além de alguns fanáticos islâmicos foi capaz de explodir pessoas em nome de sua crença. Isso é fato.

Se é mais do que aceitável a proibição de propaganda nazista, por exemplo, por que não se toma idêntica postura empírica, contra o terrorismo disfarçado de religião, existente em alguns grupos de virulento fundamentalismo, como jihadistas e talibãs, sem falar no monstruoso Estado Islâmico?

Vejam que, enquanto no Brasil os evangélicos são constrangidos, acusados de “intolerantes”, “fanáticos homofóbicos”, tão apenas por lembrarem que na Bíblia foram registrados comportamentos considerados como depravação (pecado), em países do Oriente Médio os supostos pecadores são mortos, enforcados ou apedrejados.

Quantos 11 de setembro e Charlie Hebdo, afinal, serão necessários para convencer os teóricos do politicamente correto? Será sábio pechar de xenofobia, racismo e preconceito a cautela de algumas nações, na seleção mais criteriosa da imigração muçulmana?

Interessante refletirmos sobre outro fato, por analogia. No mundo científico, não há qualquer consternação ou nem sequer discussão ética sobre medidas profiláticas e barreiras sanitárias, adotadas com referência a pessoas oriundas de regiões estatisticamente afetadas por epidemias (vide o surto recente do Ébola). No campo da política (e dos academicismos de araque), contudo, a coisa sempre tende a nutrir certo viés libertário e contestador, um cinismo de ocasião. Sobejamente nos debates filosóficos e, por patogenia, na barafunda de uma pátria sem identidade, a hipocrisia faz carreira...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Considerações Teológicas acerca da Fisiologia Humana


"Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mateus 26:41



O organismo humano é um escafandro, uma roupa de mergulho para o espírito que se encontra muito embaixo dos céus. Portanto, o corpo é um meio material de interferência nesta realidade. Na pressa do cotidiano, amiúde, pouco percebemos que a maioria das emoções não advém do espírito, mas das reações químicas de um complexo mecanismo biológico. Nossos sentimentos, muitas vezes, provocam decisões pautadas por mera satisfação de áreas cerebrais (v.g., serotoninas, endorfinas, etc.). Não por acaso, cada vez mais verificamos atitudes desastrosas, por conta de uma velada ditadura da carne.

Na epístola aos romanos, Paulo evidencia a dicotomia do corpo – um recipiente com afinidades próprias - e o espírito (uma entidade de natureza e operacionalidade menos rudimentares). Vejamos: “Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.” (Romanos 7:15) “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.” (Romanos 7:18-19)

Assim como em um treino físico, sentimos dificuldades em correr quando colocamos pesos de ferro em nossos tornozelos. Parece-me válida a ilustração, com referência à função precípua da carne; um empecilho ou óbice que serve para desenvolvimento da fé e da maturidade espiritual, ao fito de alçarmos novos estágios. Concomitantemente, essa aparente incompatibilidade entre corpo e espírito permite-nos experimentar uma liberdade individual das decisões: quer seja pelas razões do espírito, quer seja pelas inclinações corporais.

Em uma perspectiva mais particular, vislumbro a possibilidade de mitigarmos nossas culpas, por meio de uma conduta que assume, publicamente, essa tendência natural. “Errar (pecar) é humano.” Todavia, não podemos ceder ao convite do outro extremo, alegando suposta inocência pessoal diante das tentações, para apontar a culpa exclusiva a causas “externas” (como a influência do diabo, por exemplo).

Por essa ótica – que reconheço ser desprovida de qualquer originalidade, o pecar é inerente de existir, em termos fisiológicos ou orgânicos (com a única exceção de Deus entre os homens, na pessoa do Filho Unigênito, Jesus Cristo). Mas compete ao espírito o desapontamento íntimo e a desaprovação para com o pecado. Eis o bom combate, referido pelo apóstolo dos gentios. Vale dizer, podermos adotar uma atitude menos autodepreciativa, no intuito de exortarmos os nossos próprios esforços - que deverão ser diuturnos - diante de um desafio tão universal. Logo, não há nada de anormal ou escandoloso em sentirmos vontade de criticar pessoas, ou o oposto, quando lutamos contra uma atração sexual. O desejo, o temperamento, isso é um componente arraigado do gênero humano. Não seremos menos santos em confessarmos tais fraquezas. Na verdade, isso até mesmo pode servir como um motivador diagnóstico metafísico.

Nossa dignidade, como povo que participa da misericórdia divina, parece-me estar em reconhecer as nossas mazelas e em tomar posse do perdão ofertado na cruz. Com efeito, proponho uma leitura provavelmente mais holística ou abrangente da condição de criaturas. Nela, declaramos em alta voz a nossa incapacidade para voar com asas próprias, mas assumimos o compromisso de evitarmos os abismos.

Tropeçar e levantar-se. Procurando acertar sempre, compreendendo e praticando a tarefa do perdão. Indispensável, pois, confiarmos nos motivos do Alto, que ainda desconhecemos. Talvez esteja nesse exercício vitalício a essência cristã de negarmos os caprichos carnais, por mais convincentes que muitas vezes se apresentem.

Afinal, acredito que enquanto houver um arrependimento autêntico, haverá esperança. Certamente, pois, que seremos objeto de clemência, por força da Graça incomensurável do Senhor.

“Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?"

Jesus respondeu: "Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete.” Mateus 18:21-22

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Por que confiar na Bíblia?

Desejaria ter o que dizer, a todo alguém que eu encontrasse. Na verdade, eu até possuo a mensagem – mas padeço o tormento de ignorar a maneira adequada para expressá-la. (Cada ouvinte é uma estação particular.)



Em princípio, eu saberia o assunto a tratar com o vizinho desconhecido, o transeunte apressado na rua, a criança no quarto de hospital, a profissional multiatarefada, a turma de estrangeiros turistas. Cada pessoa que surge em meu campo de visão. Para meu desconcerto, no entanto, minha habilidade postiça tende a sabotar a chance de compartilhar esse tesouro.



Isso pode soar um tanto arrogante ou proselitista. Uma simples alma se achar munida de uma mensagem relevante, não importa quão alienígena seja o seu interlocutor. De certa forma, a maioria dos internautas já assim se comporta, por meio de suas autopromoções nas redes sociais (hiperbólico, diria que 90% delas estão agindo por exibicionismo, em uma pueril exposição competitiva de egos, assim resumo).



A ocasião de um ser humano demonstrar interesse em anunciar algo que julga ser capital, diante do mundo inteiro, pode ser visto – por que não? – como um gesto de megalomania ou prepotência. Por outro lado, tente colocar-se na pele de alguém que acredita, com todas as razões e forças, ter encontrado o maior de todos os bens e objetivos: o significado desta vida. Não seria um tremendo desprezo à humanidade guardar apenas para si essa maravilhosa descoberta?



Querido(a) estranho(a): neste instante, eu não posso apreciar o seu rosto, sorrir para você ou apertar a sua mão. Nem mesmo conhecerei o seu nome. Assim mesmo, ouso pedir um pouquinho mais de paciência para com a minha condição de evangélico.



Obrigado por sua atenção. Tenha uma boa semana!



(Obs.: Para um crente, “cristão” significa ser discípulo de Cristo. Portanto, alguém que procura sinceramente abdicar das tendências profanas do mundo, para levar uma vida pautada pelas verdades bíblicas. Nesse compromisso de “sede santos, assim como eu sou santo”, bem como “quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”, a leitura dos Testamentos deve ser espontaneamente diária, algo tão natural como tomar banho e fazer as refeições, porém mais precioso do que respirar. E isso, amigos, definitivamente é algo muito difícil de ser compreendido pelas confusões das sociedades.)



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Em tempo: por que não nascemos melhores?

Dentre as mais corriqueiras objeções contra as Sagradas Escrituras, na acepção dos céticos, desponta a refutação sobre quão sagradas seriam elas. Aos que rejeitam sua validade, tão somente por terem sido elas redigidas por homens, sugiro maior ponderação. Sim, evidente que elas foram escritas por mãos humanas. Estranho seria se afirmássemos que foram "despencadas dos céus", i.e., exaradas direta e exclusivamente por Deus.



Provavelmente, o aspecto principal para analisarmos esse código de instruções morais, filosóficas e religiosas (espirituais) esteja na utilidade real dos seus ensinamentos. Enfim, pelos resultados de quem os pratica. E para que possamos extrair lições profícuas da milenar narrativa, necessitamos observar a interessante variação de recursos, linguísticos e literários, aduzidos na historicidade hebraica. Mormente, é de precípuo expediente a familiaridade dos leitores com a canonicidade e a contextualização dos manuscritos compilados.



Em palavras breves, repiso que a Bíblia – como acena sua etimologia grega – é uma coletânea de livros, realizada comparativamente por lideranças e estudiosos das igrejas judaica e cristã. Um dos critérios adotados para selecionar ou descartar um texto, como se esperaria, foi o da coerência desse com os demais, bem como a similitude com outros de uma época próxima. Por esse prisma, portanto, uma diversidade de textos feitos há poucos séculos (notoriamente, oriundos de copistas obscuros da Idade Média) é considerada apócrifa, ou seja, não tem reconhecida a sua autenticidade com referência ao conjunto bíblico.



Com efeito, não é de se estranhar - pelo menos para quem acompanha o complexo cotejo teológico dos Testamentos - que volta e meia apareçam textos sensacionalistas na mídia, afirmando inconsistências tais como Jesus Cristo casado e com filhos, ou ter sido homossexual, ou então não ter nem sequer existido. À luz dos minuciosos estudos arqueológicos e literários - pela comunidade científica em todo o mundo, ao longo do tempo – essas “revelações” bombásticas não prosperam, nem mesmo remotamente. Historiadores que viveram na Antiguidade, boa parte deles não cristãos (a exemplo do judeu Flávio Josefo e dos romanos Plínio, o Moço e Suetônio), já retratavam fatos mais críveis e razoáveis, corroborando uma ortodoxia exegética.



Dito isso, proponho a seguinte reflexão como subsídio de resposta, à questão que intitula a presente resenha: a Bíblia é antologia sinótica a duas das maiores religiões existentes, bem como é o mais antigo manual da fé monoteísta. Outrossim, no tocante ao messianismo de Jesus Cristo, ninguém mais na Terra afirmou ser Filho de Deus (nem Buda, nem Maomé ou qualquer outro líder religioso), quanto mais demonstrou provas de estar falando a verdade (máxime, pela ressurreição, testemunhada por diversos judeus daquele momento). Eis o maior constrangimento dialético já disposto à humanidade: ou Jesus Cristo foi um mentiroso, ou é Deus na condição de pessoa. Ponto final. A partir daí, vai da escolha dicotômica de cada um. Pois não há margem para o nazareno servir apenas como um modelo de conduta ou um mestre inspirador (afinal, ressalto, ou foi Ele um farsante, ou é o próprio caminho estreito até o Reino do Pai).



“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” João 5:39



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sugestão do Mês

Quando eu era um guri, no alto dos meus 8 a 10 anos, desdenhosamente considerava algo por demais ridículo aqueles meus pares, na saída do cinema, tentando copiar cenas dos filmes. A cada final de semana, eu deplorava aquele pessoalzinho sem noção, nas ruas, enquanto retornavam para suas casas, ensaiando golpes de karatê, ou tentando ser comediantes, pistoleiros, gigantes, etc. Lembro que eu chegava a me afastar, para que ninguém me confundisse com aqueles “amadores, que se deixam levar pelo calor da emoção, desprovidos de qualquer senso de autocrítica”.

Nos dias atuais, na decrepitude de minhas décadas vividas, valorizo aqueles atos puerilmente autênticos. Talvez a vida seja ela mesma, afinal, uma compilação dessas evasões espontâneas, sem filtros, simpatizantes do imaginário. Como uma interessante sucessão de emoções que podem – ou devem – ser expressas, libertadas da mente para o corpo. Arriégua, eitaferro, fico mordido quando eu escancaro assim a minha briosa filosofia de borracharia! Acredito que dificilmente parecerei arrogante com ela, mas sofro o risco de pretender ser sábio, sobre algo que na verdade é óbvio demais (algo como explorar frases e conceitos simples, de maneira a sugerir complexidade/profundidade – quem algum dia já perdeu tempo com um Paulo Coelho da vida sabe do que estou me referindo).

Mais do que a minha infância, hoje lembrei de um dos motivos pessoais para apreciar livros, música, filmes. A inesperada capacidade de gerar pontos criativos de reflexão, sobre questões reais da nossa existência. Está cada vez mais difícil, para mim, encontrar algum título que propicie aquela mistura empolgante de razão e emoção. Pois acabo de ser surpreendido por uma pequena maravilha (como de costume, despercebida pelo público em geral). “THANKS FOR SHARING” é um desses filmes que talvez pouco ou quase nada possa dizer a você, respeitável visitante. Quanto a mim, está sendo – pelo menos até o dia de amanhã – uma daquelas ficções que parecem plagiar coisas das nossas próprias biografias (o que gera uma sensação esquisita de risos e preocupações). Com os olhos marejados e voz embargada, faço a contagem mental (os dedos das mãos ajudam, enquanto continuamos a caminhar) e tento manter as esperanças de que, na vida real, haverá sim um final feliz. Não graças a meus patéticos esforços em imitar algumas lições do meu Mestre... (Mas talvez pela generosidade da plateia invisível que me assiste.)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Enquanto isso, em um distante país tropical...

    Vociferam meus sábios conterrâneos. Política e religião não se discutem. Como nunca fui acusado de inteligente, considero-as irmãs bastardas. Discuto, portanto, alguma coisa de ambas, com meus latidos transcritos. Enfim, em minha via primitiva de esbarrar nas coisas, este campesino exilado desconfia que as atividades políticas, todas elas (as que fedem e as que matam) não escapam de um senso coletivo – esse, notoriamente influenciado pela axiologia religiosa. Por sua vez, um credo para ser efetivo em sua doutrina (ainda segundo ilações do presente abilolado) necessita de alguma praxe secular, o que implica certa ingerência de natureza também politizada.
   

    Parece-me que um medalhão da Filosofia declarou que (voz gutural, seguida de fanfarra): “o homem é um animal político.”  Concordo com o animal. Outros da espécie me perguntam, com certa indignação, as razões do meu repúdio ao Partido dos Trapaceiros – quando não resta nenhum partido honesto neste país.
Sem maiores detalhes (geriatria e zoonoses não são o meu forte), tento esquivar-me das lanças ao alegar que “O Partido” parecia funcionar enquanto apenas almejava o poder para si (mas em nome do povo, sempre). Agindo nos bastidores, fazendo arruaça e abrindo o berreiro quando algo parecia errado demais (como uma superfaturação em que excepcionalmente ficaram de fora). Agora, que A Estrela está na Casa do Baralho há mais de década, com poucos sinais de que deva largar o osso, a esquerda sindicalista conseguiu fazer o impensável: acabou com a oposição. Tudo virou uma negociata só. Único, singular escândalo globalizado, sem vozes dissidentes a exigir condenação generalizada; o último dos vetustos foi desmascarado como velhaco, um populista que “nada sabia” (vejam só...), a contaminar os Três Poderes em nome da sacrossanta “governabilidade”, estruturada por uma infindável malta, ralé, súcia de sacripantas, energúmenos, abjetos lesa-pátrias que se declaravam a solução dos problemas crônicos, ora promovendo a compra oficial de votos (por meio de festejado assistencialismo das bolsas-mendicâncias), com obscena sangria do erário, ao fito de perpetuar uma ditadura branca, maquiada de democracia. A nação dos vagabundos iletrados agradece!

      Acho que, para resumir o boletim de ocorrência, no fim das contas não sou contra o Partido. Só não vou com a cara de quem vota nele.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pelo direito de criticar (tudo e todos)!

ATENÇÃO, PESSOAS: 
NEM TODA DISCORDÂNCIA É DESRESPEITO!
    Recentemente, o Papa Francisco pronunciou uma declaração à imprensa, que estarreceu e agradou sobejamente aos homossexuais. Segundo suas palavras, não seria ele a criticar os gays que, no seu modo, buscam a Deus.
     Eis um humanismo extremista, que dificilmente seria imaginado na boca de um representante da igreja católica. Carismático e popular, talvez na tentativa de conciliar (ou seria “arrebanhar”?) seculares com essa religião cristã, envolto a diversos movimentos sociais em tempos de globalismo, o líder da maior organização da Terra – em termos numéricos de participantes – deixou passar, s.m.j., cabal ocasião para ser coerente com a história do seu cargo.
     Antes que se pense ser esta uma detração ao catolicismo, chamo ao microfone algumas denominações que se consideram evangélicas, para a responsabilidade a qual, sob formas idênticas, tem sido negligenciada temerária e conjuntamente. Dito isso, aplacai-vos hostes sectárias, pois minha verborragia não possui alvo outro, senão o nosso múnus fraternal da excelência cristã.
    Afinal, reconheçamos, somos todos prejudicados (direta ou indiretamente, alguns mais do que outros) pelos atuais sopros do politicamente correto – quando eufemismos forjam discursos biônicos, expressões levianamente padronizadas em torno de um ideal contraditório e inconsistente, de que “todos têm razão”, “respeite tudo”, “não critique, pois todos têm direito a manifestar sua individualidade”, etc. Na prosa acadêmica, tal democracia áurea parece ser bastante convidativa. Quando ensaiada nas ruas, bem, a coisa pode ser um tanto mais complicada. 
     Sob risco de ser tomadas por obscurantistas, radicais e intransigentes, muitas lideranças tornam-se omissas, preferindo ser “flexíveis”, “abertas ao diálogo”, “boas conviventes com os opostos” a ser tachadas de fanáticas e intolerantes pelo dogmatismo. Insurjo-me! Veemente, eu me insurjo contra essa chantagem sofista, sistemática e hipocritamente imposta aos que creem na verdade bíblica!  Pois nem sempre confrontar ideias, de maneira franca e convicta,  significa desprezar os seus respectivos autores.  E mais, amar o próximo não equivale a aceitar incondicionalmente os seus defeitos, mas implica respeitar sua identidade, com as ressalvas que são inerentes ao direito universal de opinar valores (ademais, quem realmente ama cuida, procura o melhor para o destinatário do seu amor).
       Portanto, qual um Galileu –guardadas as abissais proporções – ao tribunal, não consigo reconhecer como logicamente sustentável esse engodo, a falácia de que discordar de alguém (seja por suas escolhas sexuais ou partidárias) significa militar pelo rebaixamento e ridicularização de sua imagem. Recuso-me a ser conivente com essa invertida caça às bruxas, na qual as pessoas que buscam agir de modo correto, perante os olhos do seu Deus, são oprimidas, alijadas do direito de expressar suas razões pacíficas e de até mesmo professar sua fé, ao fito de não ofender os sentimentos daqueles que não compartilham de seu credo.
       Concordo profundamente com o Papa Francisco, quando diz que não cabe a ele julgar os que estão, em pecado, buscando a Deus. Na verdade, não cabe a nenhum de nós, mortais, tal julgamento. Todavia, em minha crença – e é exatamente ela que estou a defender, como direito de crer em um sistema de normas morais altruístas porém limitadoras do comportamento humano – cabe a mim avaliar, conforme minha consciência e minha fé, se determinada atitude ou conduta é aprovada ou condenada por Aquele que deixou escrita a sua Palavra, claramente, para orientação de todos os que desejam adorá-lo e servi-lo.
       De fato, três das sentenças mais reproduzidas, durante os cultos evangélicos que presenciei em várias denominações, foram “Deus ama os pecadores, mas odeia os seus pecados”, “quem procura contemplar a todos acaba acolhendo o diabo” e “na igreja de Jesus Cristo, entre como você está, mas não saia como você está”.
         Ora, se fosse Deus o absurdo “Deus é Amor (que tudo aceita, pois ama demais as suas criaturas para censurá-las)”, então Jesus Cristo veio nos oferecer perdão pelo quê? Coitado, morreu por vacilo na cruz, não precisava, afinal, ninguém vai parar no inferno... Pelo menos essa deve ser a exegese teológica de “cristãos” pederastas, traficantes, golpistas, etc.
      Está evidente que não se trata de preconceito ou homofobia. Pois se a sociedade moderna quer aceitar como “normal” a homossexualidade, a prostituição, a embriaguez, o tabagismo, a mentira, o aborto, etc., isso é algo que eu não tenho como impedir. Faz parte da cultura, um processo de absorção dos costumes públicos; não depende de mim refrear um senso moral construído coletivamente pelo avançar do tempo. Entrementes, no momento em que se pretende dizer que tal praxe mundana é “aceitável” aos olhos de Jesus Cristo, isto é, que isso tudo é santo segundo as Sagradas Escrituras... Opa, alto lá, devagar com o andor. Estão fazendo um cálculo muito errado na lousa do colégio. Cabe sim, a qualquer cristão crente (que leva a Bíblia a sério) protestar. Do contrário, não demoraria para um grupo simpatizante do adultério e fornicação se levantar contra as recriminações desferidas em púlpito! (O Poder Judiciário pátrio seria soterrado por ações indenizatórias por “adulterofobia”!)
     Acuso, enfim, a relativização perniciosa dos princípios cristãos, de maneira a contaminar até mesmo as lideranças religiosas, ora intimidadas – até pior, convencidas – pelas vozes dos descontentes com a “versão ortodoxa” dos preceitos bíblicos. Deploro, consternadamente (mas não silenciosamente), essa fragilidade, pela falta de coragem em demonstrar o amor divino que acolhe, limpa, trata, corrige e restaura as ovelhas perdidas.  Parece que o homem moderno está se revelando incapaz de aceitar um código imutável, porquanto a ordem mundial é a de que tudo na vida é transitivo, “negociável”... Sim, certamente que este século deseja repaginar, atualizar a edição original da Palavra de Deus. Mas ainda que intente tal abominação, quanto a mim, EU NÃO REJEITAREI JESUS CRISTO EM MINHA VIDA !
                    Cleberton Oliveira Garmatz
"Sede santos, porque eu sou santo." 1 Pedro 1:16
"(...)vai-te, e não peques mais." João 8:11

Curiosidade: sabe qual é o centro exato da Bíblia, o ponto correspondente à metade dos livros nela reunidos? Leia Salmos 118:8

(Após, aproveite para refletir sobre Levítico 18:22 e 20:13; Romanos 1:24-32 e 1 Coríntios 6:9-12.)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

OS DETALHES, O PEQUENO E O POUCO


Reflita acerca disto: você recusaria ser proprietário(a) de uma cintilante Ferrari, que acaba de sair da fábrica, porque 2% dela são diferentes das demais? Ou então consideraria como inconfiável, um supercomputador que responde corretamente 9.999 de 10.000 perguntas quaisquer?
Quando observo a mim mesmo (nas raras vezes em que consigo estômago), tento disfarçar certo nervosismo, engolindo em seco o breve desespero que me assalta. Minha imperfeição é algo nauseabundo, provocando-me dor, indignação, tristeza e raiva! Ainda que eu ficasse um dia inteiro encerrado no quarto, sem fazer mal algum às pessoas, ao final sentiria uma vergonha esmagadora – pois novamente teria deixado de fazer o bem ao meu alcance. Tenham assim uma vaga noção, apenas, sobre as dimensões do meu desconforto, quando reconheço que TODOS OS DIAS eu deixo de fazer o meu melhor, de ser exemplo motivador aos demais - diariamente eu fracasso, em meu compromisso de praticar aquilo que eu já estou sobrecarregado de teorizar. Enfim... Quando eu sou alvejado pela montanha de incompetência aqui abrigada... Neste desperdício de recursos que leva o meu nome... Caramba, eu realmente fico extasiado, tão somente ao imaginar a felicidade em ser 30% menos tosco. Meu contentamento beira uma fantasia escapista, alienação fugaz que anestesia as mazelas de ser a criatura diante do espelho. Satisfação tão efêmera como um orgasmo memorável. Pois logo sou esbofeteado, achincalhado e esculachado pelo despertar da besta-fera consciência. Ah, o peso de seus vereditos sobre a corcunda de minha parca moral!
Como sou patético... Eu cá me esvurmando a alma, cabelos desgrenhados e expressão grave, para aborrecimento, desdém e sonolência de meus dois ou três leitores. Basta (seu bosta)! Em preito à minha amada plateia de indiferentes, enforco o trololó. Avante, com a devida atenção às excelsas frugalidades do cotidiano, sigamos o protocolo: providencio, finalmente, voz ao leitor, na coerência que poucos lunáticos-de-amarrar ousam nestes dias suspeitos.  Você, querido Tibúrcio/estimada Pafúncia, deve ter respondido negativamente ao questionário que inaugura essa insensatez. Refaço-o, pois, com as alterações (im)pertinentes: E se os 2% da reluzente Ferrari estivessem ocultos? Ainda, nesse caso, tardiamente fossem encontrados no complexo sistema de frenagem do bólido italiano? (...) Quanto ao supercomputador, máquina notável que parece tudo conhecer e não é a minha esposa, bem, que tal supormos que a única pergunta que ela não soube responder de modo escorreito foi... “Você sempre diz a verdade?”
Vamos nos poupar. Talvez essa lenga-lenga seja amordaçada pela obviedade sinótica – tudo isso para lembrarmos que, em muitas ocasiões capitais de nossas vidas, “quase” não é o suficiente. Não importa o quanto tenhamos lutado e progredido. Ao final, de nada adiantará ter sido “quase salvo”, “quase vencedor”, “quase honesto”, “quase sobrevivente”, “quase bíblico”, “quase obediente”, “quase fiel”, “quase santo”.
Observe as pequenas coisas, os detalhes intrigantes em tudo ao nosso redor. Menos de 2% do nosso DNA humano nos separa dos chimpanzés. Somos bilhões de criaturas singulares, todas parecidas e diferentes a um só tempo. Sim, Deus espalhou suas digitais mundo afora, sutilezas que gritam, assinaturas geniais do Incompreensível. E saiba que, em mais vezes do que se imagina, o pouco é decisivo.

(Acordo de madrugada, transpirando e agitado, com o trovão suavemente rompido em minha mente: “Um pouco mais de coragem. Um pouco mais de esforço. Um pouco... Um pouco mais para  não continuar como pouco.”)
CLEBERTON (Xexéu) apoia:   www.mudeumavida.org.br     (filiado aoACTIONAID)