"NINGUÉM ESTÁ LIVRE DOS DEVANEIOS DE SUA ARTE,
OU DA CHINELADA DA LUCIDEZ ALHEIA." Cleberton O. Garmatz

"Estranhos dias os que vivemos, em que para se destacar em uma área, as pessoas se tornam imbecis nas demais." Cleberton
(Ai dos meus pares, que continuam medíocres em 100% delas...)
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

OS DETALHES, O PEQUENO E O POUCO


Reflita acerca disto: você recusaria ser proprietário(a) de uma cintilante Ferrari, que acaba de sair da fábrica, porque 2% dela são diferentes das demais? Ou então consideraria como inconfiável, um supercomputador que responde corretamente 9.999 de 10.000 perguntas quaisquer?
Quando observo a mim mesmo (nas raras vezes em que consigo estômago), tento disfarçar certo nervosismo, engolindo em seco o breve desespero que me assalta. Minha imperfeição é algo nauseabundo, provocando-me dor, indignação, tristeza e raiva! Ainda que eu ficasse um dia inteiro encerrado no quarto, sem fazer mal algum às pessoas, ao final sentiria uma vergonha esmagadora – pois novamente teria deixado de fazer o bem ao meu alcance. Tenham assim uma vaga noção, apenas, sobre as dimensões do meu desconforto, quando reconheço que TODOS OS DIAS eu deixo de fazer o meu melhor, de ser exemplo motivador aos demais - diariamente eu fracasso, em meu compromisso de praticar aquilo que eu já estou sobrecarregado de teorizar. Enfim... Quando eu sou alvejado pela montanha de incompetência aqui abrigada... Neste desperdício de recursos que leva o meu nome... Caramba, eu realmente fico extasiado, tão somente ao imaginar a felicidade em ser 30% menos tosco. Meu contentamento beira uma fantasia escapista, alienação fugaz que anestesia as mazelas de ser a criatura diante do espelho. Satisfação tão efêmera como um orgasmo memorável. Pois logo sou esbofeteado, achincalhado e esculachado pelo despertar da besta-fera consciência. Ah, o peso de seus vereditos sobre a corcunda de minha parca moral!
Como sou patético... Eu cá me esvurmando a alma, cabelos desgrenhados e expressão grave, para aborrecimento, desdém e sonolência de meus dois ou três leitores. Basta (seu bosta)! Em preito à minha amada plateia de indiferentes, enforco o trololó. Avante, com a devida atenção às excelsas frugalidades do cotidiano, sigamos o protocolo: providencio, finalmente, voz ao leitor, na coerência que poucos lunáticos-de-amarrar ousam nestes dias suspeitos.  Você, querido Tibúrcio/estimada Pafúncia, deve ter respondido negativamente ao questionário que inaugura essa insensatez. Refaço-o, pois, com as alterações (im)pertinentes: E se os 2% da reluzente Ferrari estivessem ocultos? Ainda, nesse caso, tardiamente fossem encontrados no complexo sistema de frenagem do bólido italiano? (...) Quanto ao supercomputador, máquina notável que parece tudo conhecer e não é a minha esposa, bem, que tal supormos que a única pergunta que ela não soube responder de modo escorreito foi... “Você sempre diz a verdade?”
Vamos nos poupar. Talvez essa lenga-lenga seja amordaçada pela obviedade sinótica – tudo isso para lembrarmos que, em muitas ocasiões capitais de nossas vidas, “quase” não é o suficiente. Não importa o quanto tenhamos lutado e progredido. Ao final, de nada adiantará ter sido “quase salvo”, “quase vencedor”, “quase honesto”, “quase sobrevivente”, “quase bíblico”, “quase obediente”, “quase fiel”, “quase santo”.
Observe as pequenas coisas, os detalhes intrigantes em tudo ao nosso redor. Menos de 2% do nosso DNA humano nos separa dos chimpanzés. Somos bilhões de criaturas singulares, todas parecidas e diferentes a um só tempo. Sim, Deus espalhou suas digitais mundo afora, sutilezas que gritam, assinaturas geniais do Incompreensível. E saiba que, em mais vezes do que se imagina, o pouco é decisivo.

(Acordo de madrugada, transpirando e agitado, com o trovão suavemente rompido em minha mente: “Um pouco mais de coragem. Um pouco mais de esforço. Um pouco... Um pouco mais para  não continuar como pouco.”)
CLEBERTON (Xexéu) apoia:   www.mudeumavida.org.br     (filiado aoACTIONAID)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

AS SOLUÇÕES DE DEUS

As Soluções de Deus


Cediço que a influência divina ocorre por diversas vias. Todas elas, frutos de um só moto: o seu amor absurdo por estas criaturinhas desajeitadas. É na tentativa de avaliar um átomo dessa incomensurável convergência, em contrapartida ao problema do sofrimento natural, que procuro expor algumas possibilidades.

Ao perquirir a realidade social em contraste com os Testamentos bíblicos, pelos olhos de um cristão que reconhece as dificuldades da fé racional, faço lembrar que sempre haverá mais espaço para crença pessoal do que para certezas matemáticas. Porém, isso não significa que o vasto campo de tudo aquilo que ainda desconhecemos, cartesianamente, seja desprezado como mera especulação metafísica, por um arrogante positivismo pós-industrial.

Sou explícito, também de antemão, ao registrar que esta é uma singela ponderação em resposta a um livro (de propalado apóstata norte-americano, ex-pastor evangélico e hodiernamente um agnóstico). De fato, concordo que a Bíblia não detém todas as razões a justificar o sofrimento terreno. Nesse viés, atrevo-me a enfatizar algo que há muito persiste em minha jornada de cristão-aprendiz: não há como um livro – ainda que inspirado pelo sopro divino – conter todas as nuances individuais. Toda receita coletiva pode ser, em algumas ocasiões, claudicante por suas próprias restrições de alcance. Cada alma é um microcosmo, um complexo pedacinho do infinito de seu Criador.

Moral, conduta, ética e devoção são bens construídos, inclusive em meio ao sofrimento conjunto, durante séculos de uma pioneira cultura monoteísta - em busca de um relacionamento diuturno com o Autor da vida. Até aí, não me parece existirem grandes celeumas dialéticos. A teologia começa a receber espinafradas, todavia, na diáspora das exegeses, amiúde quando tenta interpretar a bondade divina diante das agruras do mundo. Ou, em palavras mais acadêmicas, a busca por embasamento da teodiceia, a justiça de Deus.

Bom, preliminarmente, não almejo lançar um balde de água gelada nos ânimos dos céticos. A despeito da gravidade do assunto – o sofrimento na condição humana – e de sua quase legitimidade para contestar os preceitos bíblicos (máxime quando nos deparamos com aberrações infernais como o Holocausto, guerras mundiais, chacinas étnicas, violação de crianças, doenças atrozes sem cura, fome, secas, enchentes, etc., a fustigar centenas de milhões de almas sem uma justificativa plausível), tudo poderia acabar com um simples golpe de cutelo na verve filosófica de todo pensador : Deus é o nosso dono!

Por mais grosseira e antidemocrática que possa soar tal premissa, se formos francos ao encalço da identidade divina, infalivelmente descobriremos uma verdade incômoda e desconcertante (todavia, paradoxalmente instigante e libertadora): não temos mais direito de exigir coisa nenhuma do que os animais e as plantas, verbi gratia. Quisesse Deus ser um criador maldoso, que nos gerasse tão somente para se divertir distribuindo recompensas e castigos, ei, aqui entre nós, amigos, ainda assim nada poderíamos fazer além de confirmar sua autoridade! (Talvez isso seja uma axioma cruel, mas não menos verdadeiro que “o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria”.)

Contudo, para alívio de uma imensa população de criaturas racionais, Deus não é iracundo ou indiferente ao cotidiano. Empírica e historicamente, Ele se revela magnânimo, tanto, que deu o que tem de mais precioso – a si mesmo, na pessoa do seu Filho que comunga eternamente com sua essência – para o resgate dos que se perdem. E por que se perdem? Justamente, devido àquela que pode ser Sua grande prova de amor atemporal pelo espírito humano: o livre-arbítrio. Palavra tão desdenhada, rechaçada com vigor pelos agnósticos e ateus, contudo, reconheço a minha completa incapacidade de tentar algum descortino, se não incluir esse elemento precípuo e imprescindível da teodiceia.

Pois ninguém é obrigado a amar e servir a Deus (isso não seria amor, uma vez que não haveria chance para escolha e altruísmo). O privilégio dessa servidão é uma concordância, ora madura e consciente, ora um semiatavismo ou instinto do Maior, de maneira a cedermos nossa liberdade - que, naturalmente, nos leva à anarquia e ao sofrimento, por absoluto despreparo de controle da coletividade. Em troca, podemos experimentar de uma confiança e da adoração ao poder universal. Parece-me ter sido esse o cerne da questão com a queda de Lúcifer e do casal no Éden.

Essa é a capitania abjeta, o ó do borogodó da rapaziada vanguardista, refratária a convicções de uma sujeição aos cuidados do Pai - inicialmente descrito de modo um tanto rudimentar e canhestro, todavia mais compreensível na ocasião, pela Antiguidade, na familiaridade de um soberano ciumento, amoroso mas também beligerante, onisciente mas concomitantemente que se arrepende, enfim, um oximoro antropomórfico hábil para instilar a transição da barbárie, nos termos do Antigo Testamento.

Esse livre-arbítrio, em uma concepção menos burilada, aparenta ser um bem incalculável e absoluto da humanidade. A tal ponto de essa desmesurada liberdade cometer novo deicídio, ora no campo moral, pela estapafúrdia abissal de acusar Deus por uma inércia ou não interferência para impedir o sofrimento das pessoas. Talvez aqui caibam duas observações refratárias.

A primeira delas aponta o mundo como uma estação onde o mal viceja, porquanto alicerçado justamente na autonomia secular. Aqui é o nosso quintal. Como “proprietários”, podemos seguir os conselhos do vizinho da esquerda, ou os da direita. Talvez isso também seja parte programática do intrincado plano reparatório divino, sobre a questão que envolve o pecado (transgressão, rebeldia, etc.). Algo do tipo: “viram o que acontece quando vocês decidem viver sem mim, fazendo o que não sabem (como cuidar dos seus próprios destinos)?” Como crianças que machucam umas às outras, até mesmo os inocentes tornam-se vítimas do egoísmo geral.

A segunda reflexão orbita na pretensão do fragmento sobre o todo. Traduzindo, isso equivale dizer que não pode uma formiga compreender adequadamente o mecanismo universal. Pois, por simples e ululantes lógica, a parte não é maior que o todo. Destarte, esses segundos que chamamos de vida não podem determinar a justiça - holística e transcendental - de Deus sobre atos “de terceiros”. Evidentemente, quem sofre tem todos os motivos possíveis para discordar, com veemência, dessa constatação. Aliás, seria uma sandice insondável apregoar, por exemplo, que um prisioneiro de um campo de concentração nazista não possa se sentir desolado, sentindo-se inclinado a duvidar de Deus.

Percebo que, em ocasiões de adversidades mais intensas, os clássicos questionamentos do grego Epicuro parecem assombrar a fé inclusive dos mais experimentados: Deus quer impedir o mal, mas não consegue? Então ele é impotente. Ele é capaz, mas não quer? Ele é malévolo. Deus é capaz e quer? Então por que o mal prospera no mundo?

Pode parecer simplista, mas decido confiar em quem é infinito. A despeito de minhas dúvidas existenciais, percebo sinais inequívocos de bondade, como digitais do Criador do universo. Seja como for, quanto mais eu estudo sobre os ensinamentos deixados por Deus na Terra, a escada que desceu dos céus chamada Jesus Cristo, mais corroboro a sensatez e a validade das narrativas bíblicas – conquanto possam aparentar ser insuficientes ou inclusive contraditórias, em uma leitura menos abrangente.

No mais das vezes, o fato de não avistarmos o apoio divino não deve servir de motivo para abandonarmos o seu maravilhoso convite para crermos além das aparências. Do contrário, negaremos a existência do oxigênio que respiramos?

“Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Só tu tens as palavras da vida eterna.” (João 6:68)

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16:33)

“O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. (...) De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. (...) Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. (...) Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.” (2 Coríntios 4)



domingo, 26 de maio de 2013

NOSSO DEUS – sinopse de uma visão sobre o Infinito



     Os registros bíblicos, que compõem a Palavra de Deus para a humanidade, são um extrato interativo entre o Criador e suas diminutas, ínfimas –e a um só tempo valiosas- microcriaturas. Ciente da precariedade dos nossos recursos, a Origem usou de adaptações linguísticas para se fazer parcialmente compreendida. Algo parecido com o que empregamos quando conversamos com as crianças.   Por conseguinte, as Sagradas Escrituras não são rigorosamente perfeitas, uma vez que contaram com a participação de pessoas em sua confecção; não obstante, revelam-se como segura orientação de vida (em sua exegese holística).
     Ao longo da História, Deus se comunica com um povo, para que esse passe a guardar e a transmitir sua mensagem. Cada integrante, desse longo processo, usou de suas características pessoais e culturais para transcrever o conteúdo recebido (rectius, a inspiração foi divina, a escrita foi humana).

     Em um sentido moral-axiológico,  "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma" (1 João 1:5), entrementes, na cosmogonia dedutiva ora considerada, postulo a apresentação de uma energia mater pré-conceitual. Em tal abstração, as silhuetas humanamente perceptíveis de Deus são formatadas, por indício cosmológico, como um modelo que lembra a energia escura (anterior à luz), cujo potencial derivativo possibilita a evolução das demais coisas.
     Portanto, em sua constituição ampla, o Criador não se assemelha com suas criaturas. Sua vastidão não pode ser restringida a uma figura antropomórfica. Em minha epifania, Deus não é um senhor de barba hirsuta e longas cãs, mas uma justaposição infinita de energia (o seu “corpo”, quando não representado por uma ideia, cabível no microentendimento terreno).
   Ressalvo, premido pela veracidade de sua Palavra, que Deus não pode ser assimilado como uma convergência panteísta, mas talvez – e repiso o “talvez” – admita uma contemplação supranatural, próxima a um “hiperpanteísmo”: na medida em que todas as coisas geradas não podem estar fora do alcance precípuo da Origem, esse espaço-tempo multidimensional tudo contém, todavia, preservando algo mais, i.e., uma “personalidade” própria (indecifrável e, paradoxalmente, comunicável na extensa e intricada rede de suas derivações).
“E disse Deus: Haja luz; e houve luz.” (Gênesis 1:3)
 Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz (...)” (2Coríntios 4:6)
“A noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz.”  (Salmos 139:12)
 "Eu formo a luz e crio as trevas”  (Isaías 45:7)
     Vislumbro, com efeito, um universo em que nada, nenhum ser possa se ufanar por uma autoexistência ou uma independência absoluta de Deus (a despeito da aparente “neutralidade” divina). A queda de Lúcifer e seu séquito ocorreu por essa discrepância rebelde. Assim, até mesmo a oposição não pode subsistir sem um legado do Altíssimo (o qual, por sua natureza inescrutável, demonstra uma paciência altruísta e digna, majestosamente respeitosa até mesmo para com aqueles que utilizam uma concedida liberdade para fins prejudiciais). Vale lembrar, nesse contexto, que ninguém é obrigado a participar do reino celeste...

Como interpreto a Santíssima Triunidade
      Jesus Cristo figura a presença de Deus encarnado, como mensageiro e tradutor da natureza divina. Além de propiciar a graça expiatória (vicariante), seu papel de Filho inculca a guinada de paradigma secular, qual seja, a de servo – epônimo de obediência, humildade e poder altruísta – que projeta liderança; sua revolucionária autoridade dócil provém da excelência de caráter (perfeição de conduta, santidade, mansidão, empatia, sabedoria, etc.)
     Enquanto que o Espírito Santo personifica o elo permanente entre o Alto insondável (Deus, o Pai) e a criação.  Logo, trata-se de uma Entidade que interage por três aspectos “físicos” ou identificáveis, simultaneamente.  (Nessa ocasião sim, encontro certa similitude para com as suas criaturas humanas, dotadas de corpo, alma –ou mente- e espírito, cuja sinergia de características concomitantes torna-se mais evidente.)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ponderações Xexelianas ao Volante



              Vez em quando nos pegamos dobrando as esquinas da vida... Está bem, se é para ser um daqueles trololós existenciais, tentarei ser breve, pelo menos.  Mas dando prosseguimento ao relincho, cá estou chafurdando nas razões do caminho. É quando paramos para confirmar se os instrumentos conferem com a rota desejada, ou mais, se afinal as coisas fazem algum sentido real do jeito como andam... A noção do tempo nos engana; parecia não passar nunca quando desejávamos crescer e ter alguma autonomia. E escorre tão inexorável, quando enfim conseguimos algum espaço neste mundinho confuso. (No começo da jornada, não temos bússula ou mapa, não sabemos se é dia ou noite – apenas que devemos partir. Não temos instruções, mas uma ingente disposição; bolso vazio, às vezes a cabeça também é oca.)
          Hoje, quando reconheço – com alguma serenidade -  o itinerário dos anos, tento amainar as cobranças, olhos bucólicos deslizam nas pradarias deste outono (silentes e tranquilas, como almejo me tornar) e me resigno com alguns fatos naturais.  Sempre haverá pessoas mais prósperas para confrontar a minha incompetência. Isso não me qualifica como palerma (espero). A poeira da estrada também ensina que há muita gente boa que está mais esgualepada.  Portanto, de modo nenhum poderia eu reclamar.  Tive potencial para ser grande? Se não aproveitei, não caberá agora a frustração.  Ainda há alguns quilômetros para percorrer, tombos para levar e, com sorte, algumas risadas me aguardam. 
            Lamentável, mesmo,  talvez seja o meu longo período de adestramento, para um dia usufruir dos benefícios de um “macete dos gurus”: minhas emoções são pouco confiáveis.  As pessoas não são responsáveis pelos meus sentimentos.  O mundo não pode me fazer feliz ou infeliz. Somente eu – e mais ninguém – posso decidir o que fazer com os acontecimentos ao meu redor.  (Acho que Sartre disse algo parecido. Se bem que ele também teria dito que “o inferno são os outros.” Bah, e talvez seja, mas deixa pra lá, fica para uma próxima, outro link, parceiro.)
            Seja como for, entre as pressões externas, de convenções sociais e influências culturais, e aquele pequeno lampejo em que posso descobrir algo original de minha própria personalidade, ora depuro esse insight  digressivo (mas que suspeito conter algo de universal).  Sem GPS.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Nas catástrofes, onde está Deus?

   Tão indecifrável em sua finitude, a vida humana é desconcertante pavor, quando percebemos tamanha fragilidade. Amiúde, vive-se no exercício de estiolar a lembrança, ignorando-se os riscos diuturnos do ocaso – nosso respirar é um assombro natural; dormir e acordar faz prova da delicadeza orgânica das criaturas (além de sugerir uma poderosa engenharia divina, parece-me).
   No cotidiano, evita-se considerar quão próxima é a morte, até que uma enfermidade ou acidente nos devolva o pendor inconveniente da cronologia.
   Ainda que seres temporários, com dificuldade aceitamos os óbitos de pessoas jovens. Sobejamente, quando ocorrem as tragédias (v.g., ocasiões em que um grupo da mocidade fenece), compartilha-se de um estarrecimento amplo, que de modo singular nos embarga a dicção e impõe um silêncio reverencial aos que são tomados de assalto pelo inexorável.

   Há tempos questionamos a existência e o papel de Deus, como árbitro de fatalidades aparentemente inexplicáveis. Na época do terremoto de Lisboa (século XVIII, em um domingo, quando boa parte das vítimas se encontrava nas igrejas), destacou-se o enigma dos céticos religiosos: ou Deus não existe, ou Ele é indiferente às agruras humanas. No melhor dos casos, Ele existe e se importa conosco, todavia não tem poder suficiente para impedir todas as desgraças.
   No Rio de Janeiro, na década de 60, o sinistro de um circo atingiu mais de 500 pessoas (a maioria, crianças). Vez outra, muitas vozes indagaram, em uma comoção popular... Onde está Deus?!
   Recentemente, a carnificina da boate Kiss, em Santa Maria, reabriu o tema em várias instâncias. Para se lograr uma ponderação teológica, s.m.j., mister lembrarmos da grande lição em , acerca da soberania do Criador universal, bem como da Razão infinitamente superior às nossas razões.
   Ademais, verificamos a bondade divina, consoante ratificação de João 3:16. Um amor dessa magnitude não pode restar impassível, face ao drama experimentado por milhares de almas. CONTUDO... Sabemos que este mundo jaz no maligno, outrossim, para ser real, o amor necessita ser espontâneo.

   Aos humanos foi concedida, destarte, a liberdade de escolhas e atitudes. Como corolário desse respeito às decisões (individuais e coletivas), a existência terrena imbrica riscos gerais (a santos e a mundanos), de toda sorte de atrocidades, injustiças e aberrações – porquanto aqui não é o paraíso, destino final dos salvos em Jesus Cristo.
   Pela fé, cremos que Deus permanece acessível aos que O buscam, em espírito e em verdade, apesar das mazelas temporais - Romanos 8:28 e Salmos 34:19 - e do misterioso agir do Aba. Pela fé, não temos todas as verdades, mas constatamos provas robustas acerca da misericórdia celestial. Assim, somos confortados pelo Paráclito, sabendo que de encontro ao padecimento, Jesus Cristo nos sustenta.
(...)
   Jesus. No deserto tácito de “solitárias” almas dilaceradas. Se existe tempo para quase tudo (Eclesiastes 3), ora pranteamos as centenas de adolescentes mortos. Conosco, Ele.
(...)
   Principalmente quando você não encontra respostas, confie em Deus como o esclarecimento que virá.

   A GLÓRIA E O ESPLENDOR DE DEUS ACOLHERÃO AOS QUE AMAM SUA PALAVRA. SHEKINAH

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013 carregado de bênçãos!

 "Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; assim, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me." (Salmos 31:3)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

FIQUE LIGADO (mas não em certos programas...)

   Recentemente, alguns canais da televisão pátria estão veiculando – de forma inédita, ainda que comedida – algumas produções artísticas de natureza evangélica. Com uma exposição inusitada, o "mainstream" parece contemplar também a atenção dos crentes, fato que, como em quase tudo na vida, pode ser bom ou ruim...

  De início, necessário reconhecermos que essa mídia está precipuamente interessada em lograr proveito comercial, na "onda gospel" (no Brasil, o credo protestante foi o que mais cresceu, nesta década). Logo, a exemplo do que ocorreu com certos modismos sazonais (v.g., samba, rock, lambada, axé, sertanejo, etc.), os meios de comunicação em massa "pegam carona" no gosto popular do momento, em associação ao sucesso de uma personalidade ou produto – descartável, amiúde.

  Nessa esteira, instado por irmãos locais, sobre qual o meu alvitre acerca dessa "parceria insólita", pondero que, naturalmente, é de causar certa desconfiança a participação discreta de cantores e músicos crentes, em um meio tradicionalmente compromissado com as preferências mundanas. Grosso modo, fica aquela impressão de luz e trevas de mãos dadas, no escopo de atrair a plateia brasileira. Contudo, há que se abrigar a ressalva seguinte.

  Se renomados artistas evangélicos são convidados, por algumas rádios e televisões populares, a apresentar suas composições, sem muito espaço para que testemunhem os efeitos da Palavra de Deus e da obediência fiel aos mandamentos de Jesus Cristo, então realmente a situação se revela temerária. Mais ainda, quando essa mídia atrai a atenção do povo crente para a sua programação global (leia-se infernal, na maioria das vezes). Porquanto o efeito desejado pelos missionários-artistas deve ser exatamente o oposto: que venham para a luz da verdade os milhares de espectadores perdidos, contaminados por um mutualismo ou retroalimentação do mal.

  Em outras palavras, portanto, vale dizer que quem já está salvo não deve acompanhar as atrações das trevas, que por mercancia ora recepcionam também os representantes da luz. De outra banda, devem esses emissários agir com cautela, tendo em vista os reflexos de suas concessões para poderem adentrar em terreno tomado pelo inimigo (dimensão espiritual). Enalteço a premissa de que um santo ao visitar um antro não está aprovando, necessariamente, a índole ou a conduta do seu anfitrião. (Assim como fizeram os apóstolos, em imitação ao próprio Cristo, militarão os santos em redutos do pecado somente quando em condições para resgatar os pecadores.)
 
Obs.: Interessante observamos a absorção de gêneros e estilos, no embate cultural-religioso. Ray Charles causou impacto ao transladar, do nicho sacro-"gospel", elementos musicais até então restritos aos louvores. Sua secularização de hinos provocou nada menos que a revolução do "soul" jazzista americano. Em contrapartida, hodiernamente são mais evidentes as diversas variações dos louvores, nas igrejas protestantes (do rock e reggae ao regionalismo).

Para reflexão, nas palavras de FREI BETO: "Não haveria narcotraficantes se não houvesse viciados com seus corações esburacados pela ausência de afeto, de perspectivas, de realização profissional e, com suas mentes atrofiadas pela falta de qualidade no ensino, de livros acessíveis ao bolso e de educação artística. Mas, quando o governo de um país sonega verbas necessárias à educação, paga mal os professores, não exige que a TV - uma concessão pública - contribua para elevar o nível cultural da nação, como estranhar que numa geração deserdada não sejam nítidos os limites entre polícia e bandido, corrupto e profissional realizado, direito à vida e risco de morte?"