"NINGUÉM ESTÁ LIVRE DOS DEVANEIOS DE SUA ARTE,
OU DA CHINELADA DA LUCIDEZ ALHEIA." Cleberton O. Garmatz

"Estranhos dias os que vivemos, em que para se destacar em uma área, as pessoas se tornam imbecis nas demais." Cleberton
(Ai dos meus pares, que continuam medíocres em 100% delas...)
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O silêncio dos bons

    O crack deixou de ser uma droga associada a minorias, pois avança a passos assustadores no restante da sociedade. Cerca de 91% dos municípios do país já têm viciados nesse entorpecente. E por que ele vicia tão rápido? Porque até hoje não se conhece nada que provoque no cérebro um aumento tão grande de dopamina, o neurotransmissor que regula a sensação de bem-estar. Para se ter uma noção, a comida estimula em 50% a produção de dopamina; o álcool, 90%; o sexo, 100%; a cocaína, 230%. O crack, espantosos 900%.

    Muitos de nós podem testemunhar os dramas, alguns beirando a sucursais do inferno, experimentados por pessoas que tentam se livrar do alcoolismo. O que se dizer, então, de um narcótico quimicamente dez vezes mais viciante ? Cuja maioria dos seus usuários concorda que, basta uma única tragada - quase sempre, por curiosidade - para se tornar escravo desse veneno demoníaco.

    Interessante observarmos que, via de regra, há uma escala ou cadeia da drogadição. Particularmente, como monitor da Febem por cerca de 7 anos, pude constatar que quase todos os internos, com histórico de dependência química, passaram das drogas “socialmente aceitáveis” (cigarro e álcool), para as proibidas - o baseado, cola de sapateiro (“loló”), cocaína e, hodiernamente, o leque de desgraças amplia-se com o crack e o “oxi” (outro derivado da pasta de cocaína, mais lesivo que o crack).

    O efeito do crack sobre o organismo é muito mais intenso do que a cocaína, a despeito de ambos se originarem de sua pasta. Pois uma narina tem cerca de 4 centímetros quadrados - é esse o espaço alvejado pelo cloridrato, princípio ativo comum das drogas. Já o crack é fumado, de maneira a atingir os alvéolos pulmonares, cuja área tem, em média, 80 metros quadrados (a metade de uma quadra de tênis).

    Deploravelmente, mais de 90% dos dependentes que se sujeitam a um tratamento sofrem recaídas nos primeiros oito meses. E metade desiste, para voltar fatalmente para as pedras. No universo dessas almas atormentadas, três comentários me impressionaram especialmente. A seguir, passo a reproduzir breves trechos.

“Morei seis anos na rua. Conheci o crack aos 27 anos nos Estados Unidos, para onde viajei para fazer um curso de aviação. No final, pesava 40 quilos e pedia dinheiro nos semáforos. Foi num deles que conheci o meu filho. Ele tinha 3 anos e estava no carro da minha ex-namorada. Estava tão chapado que não tive reação nenhuma. Ao todo, enfrentei 25 internações – cinco involuntárias. O crack destrói a capacidade de planejar.” Fabian, 44 anos.

“Fumei 50 pedras em 24 horas. Fazia cinco meses que eu não usava nada. Mas, no ano passado, tive uma recaída. Quando me viu, meu filho, de 9 anos, perguntou: “Mãe, você usou droga e vai ficar longe de mim de novo?” Patrícia, 31 anos.

“Não conseguia mais raciocinar. Minha família me internou de novo, e de novo. Na última vez, estava em uma paranoia tão grande que cavava a grama da clínica e sacudia roupas atrás de uma pedra. Mal conseguia formular uma frase. Já faz dois anos que estou internado.” César, 26 anos.


“A classe média está fazendo o percurso: começa na bebida, passa pela maconha, vicia-se em cocaína e acaba no crack.” Delegado Wagner Giudice, diretor do Denarc.

(Informações extraídas da reportagem “O Crack Bate à Nossa Porta”, da Revista Veja, edição de 25 de janeiro de 2012.)

                                  Não me preocupo tanto com os estragos dos maus, mas com o silêncio dos bons.

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